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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O "pecador" Milan

O cara que "carrega o piano".

O Milan é o atual campeão italiano, mas não começou bem esta temporada tendo conquistado apenas 2 pontos em 3 jogos. Estes insucessos estão servindo para mostrar que o time nunca foi tão bom assim e que conquistou o último título mais por deméritos de seus adversários do que por próprios méritos.

É inegável que este time foi bastante efetivo na temporada passada, mas vale destacar que o Napoli chegou e tropeçou no final, a Inter foi muito mal e nem é bom lembrar do desempenho e Roma e Juventus. Com tudo isso, o time que se saísse um pouco melhor ficaria com o Scudetto. E assim se fez.

Os Rossoneri já tinham uma base formada, um time bastante entrosado e um treinador que passava confiança à diretoria -Massimiliano Allegri. O time vermelho e preto de Milão nunca empolgou, mas foi competente o suficiente para vencer seus jogos e sagrar-se campeão.

Tudo bem que estamos apenas no começo da temporada 2011-2012, mas os defeitos do Milan são os mesmos da temporada passada. A diferença é que agora parece que as outras equipes -principalmente a Juventus por enquanto- não serão tão incompetentes a ponto de deixar o título escapar.

Para esta campanha chegaram alguns reforços para Allegri, mas que até agora pouco fizeram. No setor defensivo chegaram o zagueiro Mexès e o lateral Taye Taiwo; no meio-campo os novos nomes são Aquilani , o garoto Stephan El Shaarawy e Antonio Nocerino. Entretanto, os Rossoneri perderam um jogador fundamental, Andrea Pirlo, que foi para a Juventus.

Dentro de campo, o ex-técnico do Cagliari arma este time em um clássico 4-3-1-2, mas o que me deixa mais perplexo é que não há um verdadeiro trequartista (enganche, camisa "10", etc.) no time. Quem faz esta função é o ganês Kevin-Prince Boateng. Desde 2010-2011 ele vem atuando assim e não está rendendo mal, o problema é que ele está fora de posição.

Por mais que esteja jogando bem, Boateng não tem qualidade o suficiente para ser um trequartista. Ele é muito forte fisicamente, marca bem e apoia com qualidade, mas pedir para que ele seja o "maestro" de um time do tamanho do Milan já é apelar demais.

Contudo, Boteng acabou se lesionando e Aquilani vem fazendo a função. Desde a chegada do ex-jogador da Roma, pensava que ele seria titular na posição e Boateng ficaria um pouco mais recuado. Mas a verdade é que Aquilani estreou bem contra a Lazio -jogando como regista- mas foi péssimo nos 3/4 do campo, tanto contra Napoli, quanto contra Udinese.

Atrás deste camisa "10" Allegri está mesclando um pouco nesta temporada, já que nem sempre pode contar com todos os jogadores. Mas, normalmente, Gattuso, Seedorf e Van Bommel formam uma espécie de trivote defensivo. Isso não muda com as incorporações de Ambrosini, Flamini ou Nocerino, que fazem o mesmo papel.

A zaga formada por Thiago Silva e Nesta passa muita confiança (o que vai dificultar as coisas para Mexès), mas o problema do time de Milão há muito tempo são as duas laterais. Geralmente jogam Abate (improvisado) e Antonini, que são genuinamente ruins. Zambrotta foi um bom lateral há algum tempo atrás, mas hoje em dia parece que "esqueceu" seu futebol.

O holandês Emanuelson pode fazer esta função -assim como no Ajax- mas sendo tão ofensivo, Allegri prefer colocá-lo no meio-campo. Taiwo, ex-Olympique Marseille, é um bom lateral, mas ainda precisa jogar para se adaptar a este time. Mas o melhor lateral que o Milan contratou foi o espanhol Dídac Vilà, que apoia com muita qualidade e defende magistralmente. Atualmente ele está emprestado a seu ex-clube, o Espanyol, e curiosamente não foi aproveitado por Allegri.

Com um meio-campo tão acéfalo e a inexistência de jogadas pelas laterais, os atacantes precisam fazer a maior parte do trabalho neste Milan. Isso desde pegar a bola no centro de campo, abrir as jogadas, puxar a marcação e criar oportunidades. É exatamente isto que faz o Milan ser efetivo.

O sueco Ibrahimovic é fora de série.Um atacante completo que acrescenta a qualquer equipe e joga tanto dentro quanto fora da área. A seu lado brigam por posição Robinho, Alexandre Pato e Antonio Cassano. Geralmente estes é que saem mais da área para buscar o jogo a ajudar na criação.

Por vezes na última temporada, Allegri jogou com Robinho ao lado de Ibra fazendo com que o brasileiro voltasse -exageradamente- para o meio-campo e atuasse ao lado de Boateng, formando um 4-3-2-1. O problema é que Robinho não faz esta função de forma alguma.

Com as lesões de Ibrahimovic e Robinho as coisas ficaram mais complicadas para o Milan, que perdeu além de sua referência (Ibra), uma peça útil (Robinho). Pato e Cassano vinham atuando e variando entre quem era mais fixo e quem era mais móvel.

Mas no empate contra a Udinese (1x1) o atacante brasileiro acabou se machucando e Allegri colocou o garoto El Shaaray no time. Este não jogou no ataque, voltou demais para auxiliar o nulo Aquilani e, apesar de ter marcado o gol de empate, não fez uma grande partida.

É difícil dizer que este time do Milan vai melhorar no decorrer da temporada, até porque seu elenco diz que isso é muito difícil. Não veremos uma scuadra ofensiva e com futebol bonito. O máximo que poderemos conseguir é voltar a ver o time pragmático que vence seus jogos no sufoco e principalmente no suor dos homens de frente.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sampdoria: como conseguiu cair tanto de produção?

Na temporada passada, a Sampdoria foi muito bem e conseguiu inclusive, uma vaga para os "play-offs" da Champions League. Mas com a saída do técnico Luigi Del Neri e posteriormente, de Cassano e Pazzini, as coisas mudaram radicalmente e hoje o time briga para não cair.
Depois da saída de Walter Mazzari, para o Napoli, o time da cidade de Gênova buscou em Luigi Del Neri uma esperança para quem sabe, conseguiu alguma vaga em competições europeias.
Assim que chegou, "Giggi" tirou o time do 3-5-2, tão frequente em equipes de Mazzari, e implantou seu 4-4-2, tendo como dupla de ataque, Cassano e Pazzini.
O sistema defensivo era composto principalmente do goleiro Storari (tendo no banco Castellazzi) e da sólida dupla Lucchini e Gastaldello.
Os destaques no meio-campo eram o ex-jogador da Roma, Stefano Guberti, que atuava com bastante liberdade pelo flanco esquerdo e o capitão Angelo Palombo, verdadeiro "leão-de-chácara", inclusive, com frequente presença nas convocações para a seleção italiana.
O time encaixou-se ao estilo de jogo de Luigi Del Neri de tal forma que, conseguiu a última vaga para a Champions League e teria apenas que disputar um play-off contra o Werder Bremen para estar na fase de grupos.
Mas a Sampdoria não contava com a Juventus no meio do caminho. Digo isso porque foi o time bianconero que contratou o técnico Del Neri e o goleiro Storari. A Inter veio com uma bela oferta e Casttellazzi também saiu. Contudo, até aí, a perda mais sentida foi a do treinador.
Para substituí-lo, foi trazido Domenico Di Carlo, que inteligentemente, não mudou o estilo de jogo do time. Mas não conseguia "extrair" dos jogadores o mesmo que "Giggi". Resultado, não chegou à fase de grupos da Champions e ainda por cima ficou em 3o. lugar na fase grupos da Europa League, perdendo para PSV e Metalist.
Logo se viu que não daria para esperar muito deste time na atual temporada e os resultados dentro do próprio campenato italiano mostravam isso. Apesar de algumas vitórias (bastante sofridas, diga-se de passagem) o time não convencia.
E como se não bastasse e crise dentro de campo, também houveram polêmicas fora dele. Mais precisamente um grande desentendimento entre Antonio Cassano e o presidente do clube, Riccardo Garrone. Isso resultou simplesmente na saída do atacante, que foi para o Milan.
Não obstante a isso, a Inter voltou à bater a porta da Samp, desta vez, o interesse era em Pazzini e dadas às condições de ambos os clubes, não teve outro jeito: Pazzini fechou com a Inter e Biabiany foi emprestado para o time de Domenico Di Carlo.
Com tudo isso, não houve outra alternativa a não ser mudar o esquema do time. De um 4-4-2 eles passaram a jogar em um 4-3-2-1, tendo apenas Maccarone (uma das poucas contratações do time) no ataque. Aposto que estão se perguntando de Macheda, bom, ele foi "testado" ao lado de Maccaroni, mas a dupla não deu certo e com isso, o jogador do Manchester United é banco.
Os meias mais ofensivos eram Guberti e Biabiany, que até tentavam algo, mas não conseguiam muita coisa. O problema foram dois dos três homens de marcação, à exceção de Palombo, logicamente. Mannini que tinha muita liberdade pela direita, acabou ficando "preso" na marcação e o mesmo aconteceu com Dessena.
Mas nada disso adiantou, aliás, só complicou as coisas. Na última rodada, contra o Cesena, o time acabou tomando 1x0 no primeiro tempo e logo no começo do segundo, tomou mais dois.
Depois disso até foi buscar o jogo e acabou fazendo dois gols e descontando, contudo, foi mais na base da raça do que da técnica.
E essa derrota foi a derradeira de Domenico Di Carlo, já que hoje, ele foi demitido  e para seu lugar, foi contratado Alberto Cavasin, que tem vasta experiência na Seria B e estava sem clube desde abril, quando saiu do Bellinzona, da Suíça.
Ele encontrará o time na 14a. colocação, com apenas 31 pontos e terá a missão de salvar o time do rebaixamento a fim de que, na próxima temporada, uma reestruturação seja feita.